Geoffroy Mugwump no Festival Multiplicidade

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No cenário atual, é fato concreto que DJs e produtores de música eletronica voltadas à pista de danças tem que se arriscar e buscar novos horizontes fora de seu nicho. O belga Geoffroy Mugwump é um belo exemplo de como não se contentar a centralizar seus elementos de pesquisa musical para um determinado público.

Geoffrey é descrito pelo Resident Advisor como “o catálogo mais diversificado no campo house music atual”, além de ter sido resenhado pelo site Pitchfork como “atemporal” e com um conjunto sólido “.

Junto com o parceiro Kolombo formam o duo Mugwump, onde ambos o criaram uma imersão musical de forma não-estereotipada, que nada mais é que a fusão dançante da música pop dos anos 80, edm, dub, industrial Funk com influências new-beat, modern disco e techno de baixa rotação.

Desde seus primeiros passos juntos, Geoffroy Mugwump & Kolombo fizeram uma verdadeira fusão disco-techno através de seu hino slo-mo “Boutade” sendo a pedra angular de seu rico catálogo e um clássico moderno atual.

Essa música ficou conhecida como um hino ao slo-mo electronic music, com grooves cadenciados e andamento mais lento, abrindo portas para diversos artistas que queriam fugir de um som que então dominava as pistas de dança.

Mugwump recentemente relançou a música pelo selo Let’s Play House, remixada por Andrew Weatherall e Tim Fairplay ‘s em versão technohouse.

No dia 12 de Setembro no Festival Multiplicidade, o DJ apresenta-se durante festa de encerramento logo após o artista plástico e digital Fernando Velázquez no Oi Futuro Flamengo gratuitamente.

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Mindscapes no Festival Multiplicidade

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“Vemos com os olhos, mas também vemos com o cérebro, e ver com o cérebro é o que comumente chamamos de imaginação. Estamos familiarizados com as paisagens da nossa imaginação, nossos inscapes, vivemos com eles por toda a vida”… 
Oliver Sacks (ted.com, 2009)

A série Mindscapes é um trabalho multidisciplinar  do artista Fernando Velázquez, que inclui vídeos, metacrilatos, uma instalação interativa e uma performance audiovisual onde se explora a ideia de paisagem relacionada à atividade cerebral.

Mais do que buscar uma literalidade, a pesquisa recorre a algoritmos generativos para especular a respeito dos processos, fluxos e relacionamentos entre os diversos dispositivos e sistemas que nos conformam, e influenciam o modo como percebemos o mundo, construímos o conhecimento e articulamos memórias.

Esse conjunto de obras transmídias refletem metaforicamente a respeito da atividade cerebral. Por trás dos fenômenos bio-químicos que acontecem no cérebro no nível físico, existe uma outra camada semántica, complexa e rizomática, relacionada com a forma como percebemos o mundo, e construímos e acionamos a memória e o conhecimento. O material é gerado em tempo real a partir de processos generativos programados em softwares específcos.

Falando sobre atividade cerebral, esse é um daqueles fenômenos invisíveis, como a gravidade, que alimenta a vida como nós a conhecemos sempre tão discreta.

É impossível a um ser humano entender quando suas sinapses cerebrais começam a disparar, mas certamente isso pode ser sentido através de resultados como idéias e outras manifestações como fala e mobilidade acontecer.

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Fernando Velázquez decidiu traduzir esta força de vida invisível em imagens, investigando o que está por trás dos fenômenos bio-químicos que ocorrem no cérebro em um nível físico. “Não há outra camada semântica, muito complexa e rizomática, relacionado com a forma como percebemos o mundo, e construir e provocar a memória e conhecimento”, diz ele em seu site.

Através de algorítimos previamente captados de atividades cerebrais do artista, Fernando transforma esses números em imagens e paisagens digitais impressionantes, utilizando a mesma força para gerar um conteúdo de áudio em tempo real.

Cada input cerebral capturado gera uma frequência sonora comandada pelo artista, assim como uma paisagem de formas e cores harmonicamente regidas de acordo com a vontade de criador, totalmente ao vivo.

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Fernando Velázquez: Mindscapes

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Depois da bombástica abertura do ano 09 no final de Agosto com Multi_Kids, Atom e Daedelus, chegou a vez da segunda edição do Festival Multiplicidade ocupar novamente o Oi Futuro Flamengo.

Marcada para 12 de Setembro, essa segunda edição conta com a presença do artista digital uruguaio Fernando Velázquez que traz pela primeira vez ao Rio sua performance Mindscapes. Já na tradicional festa de encerramento, o DJ belga Geoffroy Mugwump, um dos maiores nomes do movimento slo-mo techno, encerra a edição em clima de “festa no museu”.

O Festival Multiplicidade ainda guarda algumas surpresas para 2013, com uma semana de ocupação no mês de novembro, com atrações inéditas nacionais e internacionais. Fiquem ligados aqui no blog e no nosso Facebook pra saber mais sobre os artistas dessa edição!

12 de Setembro: Fernando Velazquez + DJ set Geoffroy Mugwump

E pra não perder o pique, no dia 12 de Setembro o Festival Multiplicidade traz o uruguaio radicado no Brasil Fernando Velazquez com sua performance Mindscapes, além de uma festa de encerramento com o DJ belga Geoffroy Mugwump.

Anotem na agenda!

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Pra todas as idades: Multi_KIDS

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Inspirado em diversos festivais de arte e tecnologia que apostam em uma programação para o público infantil, o Festival Multiplicidade apresenta pela segunda vez uma proposta de entretenimento e informação para a nova geração Z, homenageada também no Livro-Catálogo de 2012.

O primeiro piso do Centro Cultural Oi Futuro recebe a partir das 16h essa garotadinha que já nasceu ávida por tecnologia e novas formas de comunicação, verdadeiros nativos digitais, com uma vídeo-instalação interativa do Coletivo ANATOMIC, seguindo de uma performance da banda UKULELADIES.

Instalação interativa >>> 16:00 -18:00 >>> Air Guitar

Air Guitar é uma performance interativa criada no ano de 2004, que fez parte do espetáculo RAW do COLETIVO ANATOMIC, formado por um grupo de artistas e engenheiros e dirigido por Alvaro Uña. RAW é um espetáculo audiovisual para teatro que já foi apresentado em 16 países da Europa, Ásia, América do Sul, África e Austrália.

Levando em conta que na época ainda não existiam as tecnologias que conhecemos hoje como: Kinect, Wii, Ipads, tablets e smartphones, Air Guitar reunia três técnicas digitais que era o que existia de mais avançado e estava na vanguarda da visão artificial, geração de sons em tempo real e realidade aumentada.

A técnica de Air Guitar funciona com um sistema de visão artificial onde uma câmera capta os movimentos das mãos, detectando apenas a cor vermelha das luvas, o braço da guitarra é representado por uma linha que vai de uma mão a outra e os trastes são divisões nessa linha. O algoritmo de geração de som em tempo real produz sonoridades moduladas pela inclinação do braço virtual, integrando a realidade aumentada a uma tela de vídeo que sobrepõe as mãos do artista ao instrumento virtual.

Performance >>> 17:00 – 18:00 >>> UKULELADIES 

O Ukuleladies nasceu através da peça teatral PRIMEIRA VISTA, com direção de Kike Diaz, com as atrizes Mariana Lima e Drica Morais (ambas tocam Ukulelê e cantam) em cena.

Como o próprio nome diz, o Ukeleladies tem como foco as duas vocalistas e o som do Ukelelê, instrumento de origem havaiana e já parte do universo de composição popular. Utilizando melodias doces e suaves, o grupo faz versões lúdicas de diversos artistas brasileiros e internacionais e seus maiores sucessos, mas em uma levada descontraída para esses jovens inquietos.

O som, a atmosfera, o improviso, a descontração, a diversão é o guia musical desta apresentação com regência de Lucas Marcier (baixo e teclado) e Fabiano Krieger (Violão e Guitarra).  A banda ainda conta com a presença do baterista Raphael Miranda.

>>>> Serviço - MULTI_KIDS – Atividades Lúdicas Digitais

29 de Agosto de 2013

16:00 – 19:00 > Air Guitar (instalação interativa)
17:00 – 18:00 > Ukeleladies (performance)

Entrada franca

Rua Dois de Dezembro, 63
Rio de Janeiro – RJ
(0xx)21 3131-3060

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Archimedes – Luzes e robôs em ação no Oi Futuro Flamengo

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Em parceria com o artista visual Emmanuel Biard e engenheiro David Leonard, Daedelus criou a máquina que atende pelo nome de Archimedes. Este aparato dispõe de 36 grandes espelhos móveis, cada um controlado com dois servo motores (um para o eixo X e outra para o eixo Y) .

Estes pequenos robôs foram programados para realizar uma variedade de movimentos coordenados, mas ainda controlados individualmente. Estes interagem com projetores de curta distância que brilham conteúdo de vídeo, cor e forma contra os espelhos para que você possa ver a imagem projetada, bem como o ambiente refletido na superfície. Esse material é então complementado com diversos outros artifícios, como gelo seco.

“A música eletrônica ao vivo ainda está em sua infância. Anos de esforços vindos de pioneiros como Kraftwerk, The Orb, Chemical Brothers criaram caminhos importantes para definir o que significa estar no palco usando um computador ou sintetizadores.

Mas só nos últimos 10 anos nós realmente começamos a ter ferramentas na mão que permitem que a música comece transcendendo o computador e os recursos visuais, para que possamos sair dos paradigmas anteriores de shows de rock e seus clichês. “

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Ele acrescentou: “Meu show é principalmente sobre formas auditivas longas, inclinações libertação lenta e melódica e algum noise-y clímax. Archimedes permite movimentos muito complementares, em grande parte graças ao controle hábil de Emmanuel Biard nesses efeitos visuais impressionantes. “

Em um fórum, Biard explica: “A sincronização não é sempre perfeita, mas eu tento o meu melhor. Nosso raciocínio por trás dessa abordagem é que os sistemas reativos tendem a tornar-se obsoletos muito rapidamente e não respondem à energia ou fluxo de um show, apenas para a entrada do usuário. Por outro lado, um “processador” humano pode não ser confiável se ele não está descansado o suficiente. “

Por que é chamado de Archimedes?

Ele explica: “Assim como seu próprio xará, Arquimedes é o nome de um antigo inventor grego, famoso por seu uso do sol refletido para iluminar os navios em chamas, entre muitos outros feitos notáveis. Como foi o uso de luz que nos interessa, e, claro, tudo na música eletrônica precisa de um apelido, este tornou-se o nome perfeito como codinome do projeto “

Quem é Uwe Schmidt, ou ATOM™

 

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Uwe Schmidt, ou melhor, Atom ™ é um compositor, músico e produtor musical alemão de música eletrônica. Considerado por muitos como o pai dos gêneros electrolatino, electrogospel e aciton (ácido-reggaeton), Uwe também é conhecido como Atom Heart ou Señor Coconut.

Atom ™ começou a fazer música no início dos anos 1980, primeiro como baterista, e passou então a atuar como programador de computador depois de ter ouvido um cilindro Linn no rádio. Em 1986 ele co-fundou o selo “NG Medien”, de música eletrônica.

Uwe Schmidt fez o primeiro show ao vivo como “Lassigue Bendthaus” como ato de abertura para o grupo britânico “Meat Beat Manifesto” em Frankfurt “Batschkapp” no ano de 1989.

Ainda vivendo em Frankfurt, Uwe Schmidt foi diretamente influenciado pelo movimento emergente “pré-techno” do final dos anos 1980, conhecido como house e acid house. Sob o selo “Amoureuse Parade”, lançou alguns hits de pista de dança sob o pseudônimo de “Atom Heart” que ele adotou como seu principal nome artístico a partir de então.

Em 1992 foi responsável pela produção de uma série de faixas para os até então desconhecidos DJs Pascal FEOS, Ata e Heiko M / S / S (Ongaku). Uwe produziu e co-escreveu títulos como “Ongaku” e “Cosmic Love”, que se tornaram protótipos de sucesso para o insurgente movimento “Trance”.

Devido a falta de pagamentos por parte de alguns selos e aliado à falta de um estúdio de gravação e de contratos, Schmidt decidiu passar alguns meses fora da Alemanha e viveu durante meio ano em Costa Rica (final de 1992 até o início de 1993). De volta para casa, em Frankfurt, o seu interesse pela música latina começou a crescer e, o que viriar a criar a persona de “Señor Coconut”.

Schmidt primeiro viria a se apresentar em apenas um nome: “Atom ™.” Apesar de um monte de viagens e eventos, como Love Parade em 1994, e o Sonar de Barcelona ​​em 1994, Uwe percebeu o momento de estagnação em seu entorno na Europa. O músico então começou a preparar para sua saída do velho continente em direção a Santiago, no Chile.

No ano de 1996 finalmente surge “Señor Coconut“, nova proposta de Uwe Schmidt.

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Depois de algumas tentativas frustradas durante 1993-1995, ainda vivendo em Frankfurt, ele gravou 8 faixas no estilo “Electrolatino”. Adotou então o nome de “Señor Coconut”, cujo logo era sobreposto à textura de um côco, para esse o que viria a ser a capa do primeiro álbum.

Apesar de Schmidt tentar completar o álbum em Frankfurt, acabou decidindo mudar-se para o Chile no mesmo ano. Uwe continuou lançando um álbum por mês em seu selo, porém, devido às dificuldades de adaptação no país, decidiu reduzir sua produção.

Durante o processo de produção de “Pop Artificielle”, surgiu a idéia de regravar os pioneiros da música eletrônica “Kraftwerk” em um estilo ainda inexplorado e como uma produção diferente. Uwe Schmidt começou a produzir um par de versões covers do grupo no tradicional “cha cha cha”, estilo este que decidiu seguir no segundo álbum.

senor-coconutAlém de suas próprias produções e várias colaborações, ele foi chamado para remixar artistas como Depeche Mode, Martin L. Gore, Air, Cesaria Evora, Juan Garcia Esquivel, Sktech Show, Towa Tei, Moreno Veloso, Merzbow, entre outros.

Uma faixa exclusiva intitulada “Carro Branco” foi produzida e lançada no filme anime japonês “Appleseed”.

Ainda assim, Uwe Schmidt passou a maior parte do tempo em turnê com o seu “Señor Coconut”, agora acrescido de uma orquestra completa com 9 músicos.

O  álbum “Yellow Fever” foi lançado em 2006, com versões covers do grupo japonês “Yellow Magic Orchestra” e tornou-se um sucesso no Japão.

Entre participações, estavam os próprios membros do “YMO” (Haruomi Hosono, Ryuichi Sakamoto e Yukihiro Takahashi) e uma grande quantidade de músicos convidados, como “Mouse on Mars”, “Akufen”, Jorge Gonzalez e outros.

Atom™ traz para o Festival Multiplicidade sua nova performance chamada simplesmente HD. Essa projeto traz um som menos latino, com influências que dialogam seus parceiros do label Raster Noton, como Alva Noto e Byetone.

Para conhecer mais a fundo o trabalho do Atom™, vale dar um pulo no Soundcloud do artista e no seu site oficial.

Impressões sobre o D-Fuse

Mike Faulkner – Projeções, criações audiovisuais e live VJing
Matthias Kispert – Composição e produção sonora. DJ Set na festa de encerramento.

O D-Fuse é um coletivo de artistas audiovisuais baseado em Londres, que usam tecnologias emergentes criativas para explorar questões sociais e ambientais. Fundado em meados dos anos 90 por Michael Faulkner junto à outros artistas interdisciplinares. O coletivo explora seus trabalhos através de diversas mídias, como multi-telas, documentários experimentais, fotografias e instalações audiovisuais arquitetônicas.Amplamente reconhecido como pioneiros da cultura audiovisual, Mike editou o livro VJ: Audiovisual Art + VJ Culture em 2006 que praticamente estabaleceu a cultura até então estranha do VJ e performances que passaram a utilizar a carga visual como material de apoio e como objeto principal, até então inéditos nos meados da década de 90 e estabelecidos desde então.

A performance tinha como base a tecnologia da holografia produzida a partir de dois tecidos vuais cuidadosamente alinhados paralelamente, cada qual com um projetor independente gerando o conteúdo de imagem que, quando sobrepostas, criavam a ilusão ótica tridimensional. A música era totalmente sincronizada ao vídeo da apresentação, reagindo naturalmente com as formas por Mike Faulkner.

Tekton foi a segunda apresentação do D-Fuse no Multiplicidade, desta vez contando com o produtor sonoro e compositor austríaco Matthias Kispert, como responsável pelo áudio criado ao vivo para a apresentação. A trilha tinha enorme influência do club e do techno, ritmos estes que marcaram tanto o final dos anos 80 e início dos anos 90 em Londres, com batidas cadenciadas e influências musicais feitas como camadas sonoras sobrepostas, criando quase uma viagem ao espírito do início do movimento audiovisual inglês.

A participação do D-Fuse foi além de somente a performance no Teatro, passando a uma ocupação do Oi Futuro como um todo. Externo ao teatro, estava exposto seu trabalho Pathways: Kings Cross, e no primeiro andar, Matthias Kispert comandou a festa de encerramento do ano, em um clima mais descontraído e dançante para mais de 100 pessoas presentes.

Impressões sobre o Pianorquestra + Pedro Rebello + Justin Yang – Tributo a John Cage


Anne Amberget, Antônio Ziviani, Tatiana Dumas, Marina Spoladore, Masako Tanaka, Priscilla Azevedo – Piano preparado e percursões
Pedro Rebello e Claudio Dauelsberg – Composição e regência
Justin Yang – Design e criação visual

Tomas Barfod – DJ Set de encerramento

Fundado pelo compositor Claudo Dauelsberg, o Pianorquestra é um grupo formado por 7 pianistas e 1 percursionista que explora elementos étnicos das raízes brasileiras em interpretações virtuosas, sem abrir mão da sensibilidade, delicadeza e lirismo, num repertório que contém samba, coco, ciranda, repente, maracatu, entre outros ritmos tipicamente brasileiros mesclados com influências mundiais contemporâneas.

Pedro Rebelo é pianista e diretor do Sonic Arts Research Center (SARC), centro de pesquisa musical fundado pelo músico experimental alemão Karlheinz Stockhausen em Belfast, na Irlanda do Norte.

A idéia da performance surgiu a partir de uma visita de Batman Zavareze, curador do Multiplicidade, aos laboratórios e centros de estudo do S.A.R.C.. Ao discutir sobre a possibilidade de uma apresentação no Multiplicidade, pareceu natural que fosse uma homenagem ao centenário de nascimento do compositor americano John Cage.

O PianOrquestra seguiu a risca as famosas bulas de piano preparado de John Cage, desconstruindo a figura do piano como somente um instrumento melódico e limitado dentro de uma determinada escala musical. Com luvas, baquetas, palhetas de violão, fios de náilon, sandálias de borracha, peças de metal, madeira, tecido e plástico, o grupo passou executar diversos timbres e sonoridades produzidos pelo instrumento de acordo com a regência de Pedro Rebelo e de Carlos Dauelsberg.

A apresentação fez um passeio pelas idéias e proposições de John Cage, suas intervenções no mundo da música e o legado gerado, seus pensamentos sobre som e silêncio em aproximadamente 60 minutos, onde o grupo intercalava nos dois pianos preparados algumas composições do mestre e de outros artistas influenciados por ele.

Totalmente inédita foi a apresentação do sistema de partituras criada pelo designer Justin Yang, cuja composição era feita ao vivo por Pedro e representada em tela por meio de grafismos a serem interpretados pelos músicos do PianOrquestra totalmente através de improviso.

Homenagear a importância e o papel de John Cage para a história da música e do Multiplicidade não foi uma tarefa fácil, mas essa delicada apresentação mostrou que o autor está cada vez mais presente na música contemporânea, ultrapassando somente o aspecto sonoro.

Cage é fundamental para entender não só para entender a pesquisa musical contemporânea, mas seu pensamento sobre o silêncio, o som e o barulho continuam sendo de vanguarda até hoje, 100 anos após seu nascimento.

A difícil tarefa de entreter um público que saía da experimentalidade da performance para a festa de encerramento ficou para Tomas Baford, DJ dinamarquês e baterista da banda WhoMadeWho.

Em um dos dias mais lotados do Festival Multiplicidade, Tomas colocou o Oi Futuro pra dançar, embalado a temas de indie rock e o house europeu.