A expansão dos sentidos pelas imagens de Phil Niblock e os sons de Tatá Ogan

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Por Carlos Albuquerque
Fotos: Bleia Campos

Foi um contraste de grandes proporções. Exibido em três imensas telas numa das salas da Fundição Progresso, durante o ColaborAmérica, o filme “The movement of the working people”, de Phil Niblock, mostrava imagens da árdua rotina de trabalhadores no Brasil, México, China e Indonésia, com gente tecendo redes, quebrando pedras, pescando etc, tendo ao fundo um som minimalista e hipnótico. Em frente às telas, colchões gigantes espalhados pelo chão abrigavam e confortavam a plateia itinerante do local, ao longo das oito horas de projeção da obra, com gente curtindo, relaxando e até dormindo enquanto assistia ao filme. No escuro daquele supercinema alternativo, montado pelo Multiplicidade, criou-se uma curiosa contraposição de situações. Esforço vs descanso. Movimentação vs contemplação. Trabalho vs lazer.

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A celebrada obra de Niblock já havia sido, parcialmente, apresentada – e discutida pelo autor – durante o começo da temporada do Multiplicidade 2018, no Centro Cultural Oi Futuro e no Lab Oi Futuro. Mas só dessa vez ela foi exibida em suas proporções devidas – telas lineares de 12 metros, fundo musical a pleno vapor -, fazendo jus ao gigantismo do trabalho do mestre norte-americano da arte sonora. Mistura de cinema expandido, retrato antropológico e música experimental, “The movement of the working people” foi gerado ao longo de mais de 20 anos de pesquisa e produção até chegar ao looping de oito horas exibido no ColaborAmérica. Foi uma gigantesca janela aberta para, sem trocadilhos, futuras colaborações entre os dois festivais.

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E após tanto trabalho, foi a vez da movimentação dos povos dançantes se instalar no encerramento do evento. Num espaço a céu aberto, a DJ Tatá Ogan, outra contribuição do Multiplicidade, esquentou a noite com uma apimentada seleção de grooves, da cumbia ao trap, do carimbó ao hip-hop. Através dela, a pista virou um breve espaço utópico, com a diversidade musical refletindo o olhar para o todo. Festas boas são assim.

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