Multi_Ocupação | Planetário

A linearidade de um texto já não comporta todas as necessidades da nossa vida de 2025. O poder das imagens aliado à potência imersiva das sonoridades é como a arte se revela nesses tempos, permeando o teatro, a poesia, os objetos da vida cotidiana.

O segundo dia de Multi_Ocupação, no Planetário da Gávea, nessa sexta-feira (6), foi o encontro dessas linguagens híbridas com um público multi-linguístico, desejoso de abrir a cabeça, fazer a mente viajar, ter novas ideias.

Multi_Ocupação | Parque Lage (Foto: Francisco Costa/14)

Muti Randolph foi o resposável pelo desafio de pensar as projeções para uma das maiores cúpulas da América Latina, na máxima resolução possível e em 3D.

Fui ao limite da tecnologia que temos disponível hoje para esse tipo de espaço, considerando uma performance ao vivo; é isso que sempre busco, forçar a tecnologia a fazer o que queremos criar, e às vezes ela não está preparada. Foi como realizar um sonho“.

Multi_Ocupação | Parque Lage (Foto: Francisco Costa/14)

Foi o VJ Spetto que trabalhou com Muti para mapear o espaço das projeções; dois brasileiros que fazem parte do circuito digital mundial: “Somos brasileiros, mas a arte já é planetária, está em todos os países“.

Para experimentar o aspecto acústico da cúpula, livre, o primeiro a assumir as mesas de som foi Bruno Pallazo, artista plástico apaixonado pela poesia dos ruídos.

Quando entrei, até senti vertigem. Foi a primeira vez em um lugar como esse. E não adianta; eu sou daqueles atraídos por eletricidade“.

Como falou Bruno, já existem caminhos infinitos de criação para quem trabalha com som. “Mas o que sempre deve haver é o fator humano“.

Multi_Ocupação | Parque Lage (Foto: Francisco Costa/14)

A DJ Andrea Gram, que chegou de São Paulo e foi refrescar-se com um banho de mar logo antes de ir tocar no festival, apresentou um repertório dançante, e se emocionou ao pensar no futuro.

O que vai acontecer depois do eletrônico? Como iremos agir, o que vamos consumir, comer?

Para fechar a noite, assimiu as caixas de som o dinamarquês Rumpistol. Ele estava empolgado em performar em um planetário, onde as pessoas são, de certa forma, “obrigadas” a se deixar levar pela imersão: “aqui, ninguém poderá pausar, trocar de faixa, como fazemos todos os dias nessa época de tecnologia e conteúdo em toda parte”.

Sobre essa quantidade de tecnologia disponível, Rumpistol deixou um lembrete às gerações para além de 2025: “De que adianta ter as ferramentas todas e não ter ideias?

A plateia que ocupou o planetário, num ritual parecido com o de uma simples ida a um cinema, voltou para casa com a sensação do “o que acabou de acontecer aqui?”; como se tivéssemos todos feito juntos uma viagem despretenciosa, e cada um para seu lugar, suas imaginações e inspirações.

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E depois de todo esse mergulho, num espaço fechado, o Multiplicidade recebe as pessoas no Parque Lage, nesse sábado chuvoso, justamente num movimento de desaceleração.

Venha! Ainda não acabou!

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