Fechando o Festival Multiplicidade 2011: Kynoramas Glauber Machine

Banner_Dia07No ano em que Glauber Rocha completa 30 anos de falecimento, o festival Multiplicidade dedica uma noite inteira a homenagear o cineasta e pensador por seu papel como um dos mais importantes artistas brasileiros do último século.

Glauber foi responsável por um novo pensamento no cinema, o cinema novo, onde buscava romper com os padrões impostos pela indústria cinematográfica norte-americana e criar uma linguagem e identidades genuinamente nacionais. A partir de então, criou filmes como Barravento (1962), Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e Terra em Transe (1967), considerados clássicos absolutos na videografia brasileira.

Dialogando com a temática do festival Multiplicidade que flerta com o cinema nesta semana especial, este dia promove um mergulho na obra do cineasta em três momentos: lançamento de sua biografia, conversa com o escritor Nelson Motta e um remix audiovisual de sua obra.

Abrindo a noite, o biógrafo Nelson Motta lança Primavera do Dragão, seu último livro em que acompanha a trajetória da juventude do autor, desde seu nascimento em Vitória da Conquista, no interior da Bahia, até antes do estouro de Deus e o Diabo na Terra do Sol. Seguindo, um bate-papo com o autor dá sequência a discussões sobre esses primeiros anos de Glauber.

Logo após o coletivo A_Factory liderado por Pedro Paulo Rocha, filho de Glauber, realiza a performance Kynoramas Glauber Machine, remixando ao vivo trechos de filmes do diretor. O coletivo surgiu em 2010 a partir de encontros de artistas de diferentes áreas, que experimentavam processos híbridos nas artes, utilizando-se de diversas linguagens, meios e tecnologias, onde os integrantes do grupo fazem um crossover de cinema, música, poesia, artes plásticas, teatro.

Finalizando a data e também essa semana especial, o DJ Nado Leal comanda o coquetel de encerramento da sétima temporada do festival Multiplicidade_Imagem_Som_inusitados no ano de 2011.

Horários

19:30 – Lançamento do livro A Primavera do Dragão, de Nelson Motta, biografia de Glauber Rocha, e conversa com o autor.

20:30 - Kynorama Glauber Machine, releitura da obra do diretor Glauber Rocha pelo coletivo formado pelo seu filho Pedro Paulo Rocha junto com Fernando Falcoski e Caleb Mascarenhas.

21:00 – Coquetel de encerramento do Multiplicidade 2011 com DJ Nado Leal.

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Kynoramas Glauber Machine

Data: Dia 01 de Dezembro de 2011

Local: Oi Futuro do Flamengo – Rua Dois de Dezembro, 63.

Horário: 19h30

Entrada: R$15,00 (com meia-entrada – R$7,50)

Capacidade do local: 88 lugares

Censura: Livre

Embolex no Multiplicidade

Desde o surgimento da música em formato digital, o acesso e democratização de fonogramas tornou-se extremamente mais fácil, o que fez com que diversos DJs e produtores musicais passassem a explorar novos modos de produção e experimentação. Nessa última década, diversos estilos que outrora eram segmentados a nichos por conta da falta de espaço físico de venda de CDs e LPs puderam chegar de forma alternativa e para uma gama maior de pessoas.

Com isso, um dos movimentos que mais ganhou força nos últimos anos foi o do mashup, onde dois ou mais elementos de músicas distintas são misturadas harmonicamente para criar uma nova canção. Essa cultura do remix para gerar um trabalho inédito é alvo de diversos debates, principalmente no que tange os direitos autorais dos criadores, como é o caso do documentário Rip It! A Remix Manifesto.

Utilizando essa linha, o Embolex é um coletivo de VJs e músicos de São Paulo que realiza uma pesquisa extremamente complexa e importante no audiovisual, principalmente por se manterem no centro da discussão que permeia a produção criativa hoje sobre propriedade intelectual e a cultura do remix, como é o trabalho de artistas como o Girl Talk e João Brasil.

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Esse  último trabalho, o Caixa-Prego, é composto por mashups de diversos artistas como Martinho da Vila, Paul McCartney, Lucas Santanna, Jorge Ben, Chico Correa, Paulinho da Viola, entre tantos outros, onde as músicas se completam e criam uma obra consistente, tanto na parte fonográfica como os grafismos também mixados ao vivo pelos VJs do do grupo.

Durante aproximadamente 50 minutos, o grupo apresentou um passeio por diversos estilos musicais, tendo como base o que se chama de  ghettotech, ou seja, diversos ritmos periféricos como o dub, o reggae, reggaeton, cumbia, entre outros.

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Essa apresentação multimídia contou ainda com o MC Rodrigo Brandão, do coletivo paulista Mamelo Soundsytem, e com o baixista Dengue, da Nação Zumbi.