A arte em câmera lenta de Alfredo Alves e João Oliveira

Fred

A instalação “Fala que eu te escuto” tem causado um efeito especial em quem passa pelo Oi Futuro Flamengo durante a ocupação do Festival Multiplicidade 2019. Localizada no térreo, em sintonia com a performance “Pegue – Leia – Doe”, ela traz uma série de imagens ampliadas que, num primeiro olhar, parecem perfis fotográficos até que uma leve piscadela ou qualquer outro movimento dos seus 150 personagens revela que são, na verdade, pequenos filmes em velocidade superlenta. Autores da obra – nascida a partir de registros do público feitos durante a participação do Multiplicidade no ColaboraAmérica, na Fundição Progresso, em 2018 – o fotógrafo (e percussionista) Alfredo Alves (acima) e o editor João Oliveira (abaixo) explicam que onda é essa.

Como é que surgiu esse trabalho? Quando vocês fizeram os registros no ColaboraAmérica, na Fundição Progresso, há dois anos, existia a intenção de fazer uma instalação?

Alfredo Alves – Naquela edição do Multiplicidade, a gente trabalhou muito com time lapse, transformando dias em segundos, superacelerado. E ai teve um momento em que a gente entrou numa de fazer o oposto, de desacelerar. Veio então essa ideia do Batman de capturar, durante o ColaboraAmérica, olhares, com duração entre dois e quatro segundos, e transformar num vídeo mais longo.
João Oliveira – Inicialmente, era para ser algo interno, institucional. Não havia intenção de criar algo a partir daquilo. Mas quando a gente viu a riqueza do material, pensamos em fazer algo além. A ideia inicial do Fred, inclusive, era de usar duas telas, como se as pessoas estivessem se observando, mas acabamos com uma só.
Joao

Que técnica é aquela, que parece foto mas é filme? Algum tipo de “slow motion”?

JO – Foi um processo aparentemente simples. O Fred filmou tudo em alta resolução, em 4K. Depois, eu participei da edição, usando um slow-motion de 30% em relação ao material original. Foi uma medida que permitiu criar o efeito visto na hora, que não é o slow tradicional e fica mais parecendo uma foto. Até que a imagem se move.

AA – Foi o conceito do parado sem ser parado.
Fotos: Aicha Barat

Multiplicidade 2019 dá sinais de ocupado no Oi Futuro Flamengo

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Na noite desta segunda feira, o Oi Futuro Flamengo deu sinal de ocupado pela 15ª edição do Festival Multiplicidade. Na linha, um diálogo com os Brasis de um país que parece de cabeça para baixo. A conversa, dividida em atos, vai até o próximo domingo.

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O térreo ficou uma pilha de livros, com a performance “Leia pegue doe”, do ator Gabriel Silveira, acompanhada pela instalação “Fala que eu te escuto”, de Alfredo Alves e João Oliveira, com 150 hipnotizantes retratos feitos durante o Colaboramérica de 2018, na Fundição Progresso.

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A obra “Concavo e convexo”, da premiada carnavalesca Rosa Magalhães, em parceria com Marlus Araújo, desafiava os sentidos, com imagens inusitadas da folia, em 360º, projetadas na superfície de guarda-chuvas. A impressão era de células se movimentando sob o olhar de um microscópio.

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Mais acima, foi a manifestação das entidades da arte que atraiu as pessoas. De um lado, na imersiva instalação “PIB – Produto Interno Bruto”, de Filipe Cartaxo, as características máscaras do BaianaSystem abriam-se para revelar um pouco do processo criativo da banda –suas conversas, suas trocas, seus sons.

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Do outro lado, Cabelo e suas mercadorias – os ovos-bombas, os tapetes, o manequim com a blusa camuflada (e os dizeres Rambo x Rimbaud) – dentro da anti-exposição “Luz com trevas”, ativada por uma intervenção do artista, meio Exu, meio MC, acompanhado pelo DJ Nado Leal, pelo percussionista Leo Leobons  e dançarinos do Passinho mascarados.

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Entre um e outro, a elegância da “The new brazilian flag”, de Raul Mourão, retratando um país com um buraco no meio.

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O magnetismo foi mantido com “Ambiente”, uma sinfonia de vozes e ruídos  criada por Rodrigo Penna e Felipe Storino. O trabalho fala através de uma série de caixas espalhadas numa sala de luz (vermelha) baixa e nenhum estímulo visual, gerando um transe de informações cruzadas roçando os ouvidos.

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Seguindo para o alto, no teatro, o sonho não acabava. Ele ganhava poesia com a obra “Incorporais”, de Dani Dacorso. Ao som de Leobons, novamente ele, as impressionantes imagens da fotógrafa ganhavam vida e ritmo, dançando conforme a música.

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E no café, no último andar, a ligação dos Brasis vinha através das projeções do trabalho “Donos do Brasil”, de Thiago Tegui, subvertendo e aguçando os olhares sobre os povos indígenas.

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No final, de volta ao térreo, sobraram os livros para contar histórias. De existências e resistências, por exemplo.

Fotos: Coletivo Clap

 

 

Instalação de Filipe Cartaxo abre nova dimensão para o BaianaSystem

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Filipe Cartaxo faz música com imagens.  Ele é o responsável pela marcante identidade visual do BaianaSystem  – dos inúmeros grafismos às cultuadas máscaras, tudo o que se vê e o que se toca do grupo tem sua assinatura. Sempre trafegando de forma equilibrada entre o digital e o analógico, Cartaxo abre uma nova dimensão para o BaianaSystem com a instalação “PIB – Produto Interno Bruto”, feita especialmente para o Festival Multiplicidade 2019, que estreia hoje, às 19h, no Oi Futuro Flamengo, onde segue até o dia 6/10. Num papo com o idealizador e curador do festival, Batman Zavareze, Cartaxo  fala sobre  esse inédito mergulho sensorial no processo criativo do grupo, e também sobre sua formação multidisciplinar e seu olhar para a arte..

- Sempre pensei no palco como uma exposição – revela.

Como você descreve a instalação “PIB – Produto Interno Bruto”? 

Filipe Cartaxo – Sendo BRASIS o tema do Multiplicidade desse ano, o PIB, de antemão, desloca o olhar para produção interna do BaianaSystem. Compartilhar um pouco do processo do grupo, trazendo a ambiência, a forma bruta de se produzir, a idéia solta, a imagem incompleta, a respiração, a voz da guitarra, os ruídos. São elementos soltos que, ao se combinarem, criam um local particular.

A instalação é uma metáfora do que se passa na cabeça de vocês, do BaianaSystem?

FC – Ela vai mostrar processos e produtos na sua forma bruta. Vai ajudar a identificar elementos que mudam através da própria forma, despertar sensações visuais, sonoras e reflexivas acerca do universo criado dentro de cada cabeça do grupo. E isso, de certa forma, acontece na cabeça de todos, somos estimulados o tempo inteiro e nem sempre sabemos organizar em qual caixa guardamos o que absorvemos.

Por que dividir a instalação em três partes: sonora, visual e reflexiva? Como vocês chegaram nesta síntese que muito representa o BaianaSystem?

FC – Isso foi o mestre B Negão quem falou. Ele sempre está por perto, na verdade ele faz parte do sistema, é uma peça fundamental. Na época que lançamos o álbum “Duas cidades”, ele falava das diversas artes inclusas no BS e essas três me chamaram muito atenção como fundamento. Ficou mais simples enxergamos dessa forma, como uma maneira de organizar ideias, ver princípios.

Você já tinha pensado no BaianaSystem além do palco, numa exposição? Curte a ideia de ver as ideias que vocês promovem dentro de outra contemplação, numa galeria? 

FC – Na verdade, eu sempre pensei no palco como uma exposição.  Mas de fato, o ambiente do show traz comportamentos  distintos de uma galeria, o que é curioso.

Através do seu currículo é possível entender sua formação artística antes do BaianaSystem e seu interesse em tantas linguagens multidisciplinares?

FC – Achava que (a minha) era Arquitetura. Fiz Urbanismo. Larguei. Passei na Escola de Belas Artes da UFBA no curso de desenho industrial (design). Me formei em 2009, já com a identidade do BaianaSystem. A fotografia foi a primeira linguagem que me fez entrar numa galeria, em 2004.

HOL e sua Synap.sys

Nem o dia chuvoso desanimou os cariocas que lotaram o Teatro do Oi Futuro Flamengo ontem. Mas antes da performance oficial, como contamos por aqui, o artista multimídia Henrique Roscoe fez um ensaio aberto e dividiu com o público suas experiências e peculiaridades do processo criativo.

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“O aleatório é uma parte importante para o meu trabalho. Eu não quero tocar a mesma coisa sempre, esse é o modo que acredito e que gosto de fazer. Cada vez que eu ligo, será diferente. É o que chamo de arte generativa, programação generativa. Você pode modificar a cena em tempo real”, comentou ele enquanto mandava um preview e aquecia o instrumento feito especialmente para a apresentação no nosso Festival.

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O ensaio empolgou e fez com que a ansiedade pela performance aumentasse. Como foi o caso do estudante Marc Paul que faz fotografia na Oi Kabum “Achei incrível essa questão das sinapses e do cérebro. Me senti inspirado”. O Daniel Santos que é um profissional multimídia participou de uma oficina no nosso Festival no ano passado e saiu com uma ótima impressão do ensaio: “Achei interessante ele expor toda a receita de bolo que ele faz por trás da performance, de uma certa, já vou sair com algo a mais daqui”, comentou.

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Pontualmente às 20h, a cortinas do Teatro do Oi Futuro foram abertas e aos poucos, a plateia foi se aconchegando nas tradicionais almofadas vermelhas espalhadas por toda a escadaria. Quando os lasers cruzaram a fumaça, o público teve uma certeza: uma performance inesquecível estava por vir. Foram quase 50 minutos de projeções, sons, experimentações e diversas sensações (coletivas e individuais). Uma verdadeira sinfonia audiovisual!

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Fechando o ano: Novi_sad – ‘Sirens’

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Depois da ocupação da Escola de Artes Visuais do Parque Lage nos dias 06/ 07/ 08 de dezembro, o Festival Multiplicidade encerra sua nona temporada de volta ao teatro do Oi Futuro Flamengo, com a apresentação do artista Novi_sad, alter-ego de Thanasis Kaproulias.

Influenciado pelos pioneiros da produção sonora, Novi_sad começou a trabalhar com som no ano de 2005, sem qualquer tipo de estudo ou formação acadêmica específicos na área. Sua pesquisa musical está principalmente ligada aos gêneros noise e drone.

Através da amplificação de gravações ambientais e suas manipulações através de texturas, Novi_sad começou a explorar a música ambiente de forma não-estruturada, com alteração de microtons e subversão de melodias.

‘Sirens’ é uma performance audiovisual complexa, baseada nos seres mitológicos gregos chamados de Sirenas. Conta-se que, através de seus cantos, essas figuras seduziam marinheiros que guiavam seus barcos em sua direção e se chocavam contra as rochas, onde morriam ou acabavam se tornando escravos.

A partir dessa lenda, Novi_sad traçou um paralelo entre essa sedução com o dinheiro e a humanidade.

Através de estudo de números vindos de macro-cenários, o artista transformou em fórmulas matemáticas o resultado de diversos eventos sismícos que ocorreram simultaneamente as quebras das  de Valores no mundo (como um tremor catastrófico na Índia ao mesmo tempo da quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929).

Esse material foi cedido por diversas instituições de registro e observação de fenômenos naturais, como a NASA. A seguir, ele os aplicou como modificadores sonoros por cima de um material pré-gravado por cinco músicos e seus instrumentos:

» Richard Chartier | EUA [www.3particles.com]
» CM von Hausswolff | Suécia [www.cmvonhausswolff.net]
» Jacob Kirkegaard | Dinamarca [www.fonik.dk]
» Helge Sten | Noruega [Deathprod, Supersilent]
» Rebecca Foon | Canadá [Rebecca Foon, A silver mt Zion, Set fire to flames]

O resultado é uma peça audiovisual de 40 minutos, cuja parte visual é criação do video-artista japonês Ryochi Kurokawa, atração do Festival Multiplicidade em 2012 com a peça ‘Rheo’.

‘Sirens’ dialoga com a subversão humana através do dinheiro e seu futuro de colisão em cenários catastróficos, principalmente por conta do apetite voraz e da ganância de Wall Street.

Novi_sad toma para si a frase do economista americano John Kenneth Galbraith (1908-2006) para ilustrar seu pensamento a respeito do tema:

“Wall Street, in these matters, is like a lovely and accomplished woman who must wear black cotton stockings, heavy woollen underwear, and parade her knowledge as a cook because, unhappily, her supreme accomplishment is as a harlot.”

No dia 17 de Dezembro, Novi_sad realiza uma palestra no Oi Futuro Flamengo a respeito de seu trabalho, metodologia e processo criativo, com entrada totalmente gratuita. Dia 19 ele apresenta a peça no mesmo local, com ingressos no valor de R$ 20 (R$ 10 – estudante).

E, encerrando o ano do Festival Multiplicidade, o DJ Guerrinha (40% Foda/Maneiríssimo) toca na festa de encerramento no térreo do centro cultural, totalmente gratuito.

>>>>>> Serviço

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17 de dezembro 2013 - NOVI_SAD [GRE] - Palestra/ workshop
19H – 20H30 / Teatro 7º Piso
Gratuito – 80 vagas (inscrição em info@multiplicidade.com)
 
18 de dezembro 2013 - Discussão: Diálogos Urgentes - Realizadores culturais convidados
18H – 20H / Bistrô 8º Piso
Gratuito – Aberto ao público, sujeito à lotação da casa.
 

19 de dezembro 2013 - NOVI_SAD [GRE] - Performance: SIRENS

20H – 21H / Teatro 7º Piso
72 lugares – R$20/ R$10  (estudante)
vendas a partir de terça-feira (dia 17 de Dezembro) no Oi Futuro Flamengo ou no site Ingresso Rápido.
Festa de encerramento com DJ Guerrinha (40% Foda/Maneiríssimo)
21H-23H / Térreo
Gratuito
>>> Oi Futuro Flamengo
Rua Dois de Dezembro, 63 – RJ
 +55 (21) 3131-3060

Encerramento com Dudu Dub

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DJ, produtor, colecionador e pesquisador de disco de vinil, além de criador de identidade musical e trilhas sonoras diversas marcas de moda, Dudu Dub trabalha em clubs e festas desde final dos anos 80.

Tocou em diversos locais do Rio de Janeiro como o Kitshnete (pós-Crepusculo de Cubatão), 00, Rock In Rio 2001, Fundição  Progresso,THC, Minimal Sessions/Les Artistes, Melt, Dama de Ferro, entre diversos outros locais do Rio de Janeiro que ditavam tendência musicais.

Dudu possui uma carreia que se entrelaça com a indústria da moda, grande parte dela dedicada aos grandes desfiles.

Desde 98, começando na Semana Leslie de Moda, faz trilhas para desfiles de marcas como Mara Mac (2005, 2008, 2009, 2010) e Maria Bonita Extra (2012) no Fashion Rio e Maria Bonita no SPFW (de 2006 até 2012).

Em 2008 foi convidado pelo diretor criativo da marca francesa Paule Ka para selecionar a nova música brasileira através de artistas como Cibele, Bebel Gilberto, Bossacucanova, Bid, Funk Come Le Gusta, dentre outros.

Atualmente vem pesquisando novas sonoridades para seus sets de House e Deep Techno.

Segundo Dudu, “o que me move depois de todo esse anos tocando e buscando novos artistas e sonoridades, com essa ferramenta (Soundcloud) posso escutar desde demos obscuras da Finlândia até  o ultimo lançamento de um selo inglês – meu sets nunca mais serão os mesmos!

Explorando novos caminhos para a noite carioca, fez festas com o coletivo LINK que mistura video projeção, arte e música, e discotecagem no lugar do momento no Rio, a Comuna, misto de lounge e galeria de arte.

Atom ™ & Raster Noton – HD

Em 2007 aconteceu então reencontro de Uwe com a sua personalidade Atom ™, junto ao selo Raster Noton, propriedade do designer e artista multimídia Alva Noto. Este espetáculo vem a ser a evolução de sua obra desde então, com reprodução de áudio e vídeo em tempo real, através de um diálogo técnico no palco.

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Nas palavras do próprio artista:

“Como tantas vezes me pediram para dizer e escrever algo sobre a gravação que você está tendo na sua frente:.” HD “Para qualquer músico este é sem dúvida um momento complicado, já que a escolha do meio já tinha sido tomada no primeiro lugar. No entanto, parece que a palavra escrita tem de acompanhar a música, se não apenas para garantir que o compositor saiba como defender-se. Deixe-me ser franco: este tem sido um trabalho bastante ingrato. Então, não quero que minhas palavras pareçam como um método de justificativa ou explicação. Na minha modesta opinião não precisa de qualquer um dos dois. No mesmo sentido em que “Liedgut” não era sobre romantismo e “Winterreise “não tinha nada a ver com Schubert,” HD “não se trata de qualquer coisa.

Eu gostaria de expressar em um texto longo ou gostaria de vê-lo ser capaz de identifica-lo ou vende-lo com um título chamativo. Para isso, além dos detalhes descritivos, resumo: 

HD é um trabalho espiritual

HD é uma obra musical

HD é um trabalho científico “

As primeiras gravações de “HD” foram feitas em 2005. Naquela época, o álbum ainda carregava outro título que era “Hard Disc Rock”, sendo objeto de trabalho do músico ao longo de 9 anos para finalmente ganhar forma com o nome atual.

atome284a2-e28093-hd“HD” contém de contribuições de amigos e colegas, como Jamie Lidell (vocais em “I love U”), Alva Noto (programações adicionais para “Ich bin meine Maschine”), Marc Behrens (programações adicionais sobre “Strom” e “My Generation”), Jean-Charles Vandermynsbrugge (vocais em “Pop HD”). Dominique Depret (guitarra) e estrela pop chileno Jorge Gonzalez (backing vocal, guitarra e matérias-primas baixo) – além de uma variada seleção de músicos convidados que reflete muito do espírito geral de “HD”.

Para escutar um pouco mais do atom, basta ir em seu site no selo Raster Noton.

Quem é Uwe Schmidt, ou ATOM™

 

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Uwe Schmidt, ou melhor, Atom ™ é um compositor, músico e produtor musical alemão de música eletrônica. Considerado por muitos como o pai dos gêneros electrolatino, electrogospel e aciton (ácido-reggaeton), Uwe também é conhecido como Atom Heart ou Señor Coconut.

Atom ™ começou a fazer música no início dos anos 1980, primeiro como baterista, e passou então a atuar como programador de computador depois de ter ouvido um cilindro Linn no rádio. Em 1986 ele co-fundou o selo “NG Medien”, de música eletrônica.

Uwe Schmidt fez o primeiro show ao vivo como “Lassigue Bendthaus” como ato de abertura para o grupo britânico “Meat Beat Manifesto” em Frankfurt “Batschkapp” no ano de 1989.

Ainda vivendo em Frankfurt, Uwe Schmidt foi diretamente influenciado pelo movimento emergente “pré-techno” do final dos anos 1980, conhecido como house e acid house. Sob o selo “Amoureuse Parade”, lançou alguns hits de pista de dança sob o pseudônimo de “Atom Heart” que ele adotou como seu principal nome artístico a partir de então.

Em 1992 foi responsável pela produção de uma série de faixas para os até então desconhecidos DJs Pascal FEOS, Ata e Heiko M / S / S (Ongaku). Uwe produziu e co-escreveu títulos como “Ongaku” e “Cosmic Love”, que se tornaram protótipos de sucesso para o insurgente movimento “Trance”.

Devido a falta de pagamentos por parte de alguns selos e aliado à falta de um estúdio de gravação e de contratos, Schmidt decidiu passar alguns meses fora da Alemanha e viveu durante meio ano em Costa Rica (final de 1992 até o início de 1993). De volta para casa, em Frankfurt, o seu interesse pela música latina começou a crescer e, o que viriar a criar a persona de “Señor Coconut”.

Schmidt primeiro viria a se apresentar em apenas um nome: “Atom ™.” Apesar de um monte de viagens e eventos, como Love Parade em 1994, e o Sonar de Barcelona ​​em 1994, Uwe percebeu o momento de estagnação em seu entorno na Europa. O músico então começou a preparar para sua saída do velho continente em direção a Santiago, no Chile.

No ano de 1996 finalmente surge “Señor Coconut“, nova proposta de Uwe Schmidt.

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Depois de algumas tentativas frustradas durante 1993-1995, ainda vivendo em Frankfurt, ele gravou 8 faixas no estilo “Electrolatino”. Adotou então o nome de “Señor Coconut”, cujo logo era sobreposto à textura de um côco, para esse o que viria a ser a capa do primeiro álbum.

Apesar de Schmidt tentar completar o álbum em Frankfurt, acabou decidindo mudar-se para o Chile no mesmo ano. Uwe continuou lançando um álbum por mês em seu selo, porém, devido às dificuldades de adaptação no país, decidiu reduzir sua produção.

Durante o processo de produção de “Pop Artificielle”, surgiu a idéia de regravar os pioneiros da música eletrônica “Kraftwerk” em um estilo ainda inexplorado e como uma produção diferente. Uwe Schmidt começou a produzir um par de versões covers do grupo no tradicional “cha cha cha”, estilo este que decidiu seguir no segundo álbum.

senor-coconutAlém de suas próprias produções e várias colaborações, ele foi chamado para remixar artistas como Depeche Mode, Martin L. Gore, Air, Cesaria Evora, Juan Garcia Esquivel, Sktech Show, Towa Tei, Moreno Veloso, Merzbow, entre outros.

Uma faixa exclusiva intitulada “Carro Branco” foi produzida e lançada no filme anime japonês “Appleseed”.

Ainda assim, Uwe Schmidt passou a maior parte do tempo em turnê com o seu “Señor Coconut”, agora acrescido de uma orquestra completa com 9 músicos.

O  álbum “Yellow Fever” foi lançado em 2006, com versões covers do grupo japonês “Yellow Magic Orchestra” e tornou-se um sucesso no Japão.

Entre participações, estavam os próprios membros do “YMO” (Haruomi Hosono, Ryuichi Sakamoto e Yukihiro Takahashi) e uma grande quantidade de músicos convidados, como “Mouse on Mars”, “Akufen”, Jorge Gonzalez e outros.

Atom™ traz para o Festival Multiplicidade sua nova performance chamada simplesmente HD. Essa projeto traz um som menos latino, com influências que dialogam seus parceiros do label Raster Noton, como Alva Noto e Byetone.

Para conhecer mais a fundo o trabalho do Atom™, vale dar um pulo no Soundcloud do artista e no seu site oficial.

Vinheta Festival Multiplicidade 2013

Saiu hoje nossa nova vinheta, com edição de João Oliveira em cima da animação do logo criado pelo Rafael Barros Escobar, da Boldº_a design company. A trilha é do alemão Uwe Schmidt, conhecido como ATOM™, atração de 29/08 no Oi Futuro Flamengo.

Se você curtiu, aproveita á uma passadinha lá no nosso Vimeo pra ver mais das vinhetas passadas!