No ardente labirinto das ausências

IMG-20180906-WA0000

Por Cadu*

Uma Fênix forjou ninho em solo imperial.
Sobre as penas do uiraçu-verdadeiro, sobre Bendegó. Sobre as presas do tigre-dentes-de-sabre e sobre a pachorra da Preguiça Gigante.
Sobre as patas de Decapoda. Em casaco de intestino de foca, sobre o Rato-do-cacau, sobre o celacanto. Sha-Amun-en-su e Harsiese. Sobre Luzia.
Novamente sobre os afrescos de Pompéia. Sobre o Escudo do Uapés e sobre o Trono Daomé. Sobre a coleção Rondon. E sobre as vozes do Ilê Omolu Oxum.
Brahma, Vishnu e Shiva, Prometeu, Nhanderuvuçú e Empédocles a tudo assistiram.
Que a metalurgia se converta em arômatas curativos. Todas as cinzas, todo o desespero contemplado no limite da cegueira e da iluminação é a manifestação do clamor do tempo por renovação.
Segundo a lenda judaica, Deus escreveu as leis usando dois fogos: um branco e um negro.
Com o fogo negro, foram escritas as palavras. Com o fogo branco, os espaços entre as letras.
Durante sete mil anos, o homem lerá as palavras, mas nos próximos sete mil aprenderá a ler os espaços em branco.
Quando esse momento chegar, entenderemos o que se oculta no ardente labirinto das ausências.
O Departamento de Artes e Design da PUC-Rio demonstra tanto sua indignação quanto sua solidariedade no romper desta ainda incompreensível aurora.

* Cadu, artista plastico e professor do Departamento de Artes e Design da PUC-Rio

O festival é um percurso que só vale quando é percorrido

WhatsApp Image 2017-11-18 at 17.32.02

Por Batman Zavareze.

Fotos Batman Zavereze e Elisa Mendes.

Nesta temporada fui chamado de cacique, maestro, globetrotter, louco e há poucos dias como um cara que produz e faz. Que faz mesmo. Todas as classificações citadas acima foram feitas por pessoas que respeito e escuto. Esta percepção me instigou a escrever esta análise final da temporada, ou melhor, um desabafo de alguém que está totalmente embrenhado – da gestão a curadoria – por trás desta cena.

No último sábado, 11 de novembro, encerramos a temporada 2017 do Festival Multiplicidade mais intenso dos nossos 13 anos de vida. Um ano contaminado por um baixo astral sem fim, mas por incrível que pareça, tínhamos um cenário super positivo ao nosso redor e o festival voou em céu de brigadeiro.

Numa das apresentações, o jornalista Carlos Albuquerque (para mim, Calbuque), convidado para investigar, com olhar crítico, através de seus textos, todas as nossas experiências do ano, me perguntou, ainda atordoado ao sair do teatro do Oi Futuro Flamengo após a performance “Máquina – Parte I” de Gabriela Mureb, se aquele tinha sido o momento mais radical de nossa história.

WhatsApp Image 2017-11-18 at 17.32.02-2

Hesitei, ainda com olhos ardidos do gás carbônico emitido pelos 20 motores que funcionaram como uma orquestra de rumores, numa espécie de deferência contemporânea a Luigi Russolo. Não consegui responder de bate-pronto porque passou um filme na minha mente, ao revés e acelerado, um time lapse de tudo o que tinha sido feito da criação do festival até ali.

Screen Shot 2017-11-16 at 12.08.29 PMO Multiplicidade surgiu em 2005, com performances inéditas, quinzenais, de maio a dezembro. No centro cultural, ele deu início a um diálogo de muitas possibilidades híbridas, que seriam atravessadas pela tecnologia. Promoveu encontros inusitados, cumprindo um papel plural e pioneiro, misturando linguagens que até então pouco se cruzavam, revelando ao público o papel da multiplicidade nas artes, quando ninguém ainda falava dessa sobreposição como regra artística.

Desde então, foram mais de 800 artistas de todo o mundo, mais de 300 performances, cerca de 70 mil pessoas presentes nas apresentações, 14 aparições no exterior, 11 livros editados, sete prêmios nacionais e internacionais, uma série no Canal Brasil que atingiu um milhão de pessoas e, por fim, três teses de mestrado e doutorado que tiveram o festival como tema de pesquisa. Somos e fomos um impacto na cidade, no público, na economia criativa e na cena artística ao longo de 13 anos continuados.

Por isso, balancei na resposta, porque, no fundo, sabia que radical é ter coragem para fazer um festival no Rio e no Brasil.

Em “2025”, ou melhor, em 2017, para o público e imprensa, o festival começou no dia 07 de outubro e durou “somente” 35 dias de atividades ininterruptas. Não é pouco, mas um festival com a ambição do Multiplicidade opera o ano inteiro, nunca para. Ele começa na conceituação, na captação, nas pesquisas, nas viagens, nas residências artísticas (este ano passamos 20 dias em agosto no Xingu com 15 artistas e produtores convidados), na convocação de artistas, na formação de equipe, nas burocracias, etc e etc.

Nossa loucura, utopia, resistência, insistência e romantismo artístico fazem com que ele comece muito antes do início oficial.

Nessa dinâmica, minha função como curador é um pouco mais profunda porque eu idealizei o festival que descrevo aqui. Mesmo sabendo de sua dimensão como plataforma artística para a cidade, ele é, na verdade, como um filho.

Por isso a carga emocional das decisões sempre é movida por extremos, seja na alegria, na loucura, na paixão, nos acertos e nos fracassos. Costumo dizer para a equipe mais antiga e já automatizada aos costumes de realização que precisamos ser mais curiosos com as fórmulas conquistadas para subverter o modelo da gestão do próprio festival. E aos mais novos, aos calouros da equipe, digo que preciso ser surpreendido e por isso, peço e incentivo que tomem o risco de executar e de errar para aprendermos sempre.

Este ano, tínhamos o norte conceitual do BARULHO. Queríamos estimular a nossa escuta e enxergar melhor o que está ao nosso redor, em meio às distopias do mundo atual e junto às muitas metáforas surgidas quando pensamos em “fazer barulho”

Para ajudar a consolidar essa idéia, nos apropriamos da poesia concreta de Lenora de Barros e Raul Mourão, com design de Marcelo Pereira.  E ela passou a marcar o festival, com um vídeo piscando em negativo e positivo: OBARULHOÉVISUAL / OBAGULHOÉVISUAL.

Na estreia, tivemos a Quasi-Orquestra, com músicos sinfônicos virtuosos desafiados a tocar, de forma fragmentada, pelos oito andares do Oi Futuro Flamengo.  Provocada pela orquestra durante uma interpretação furiosa da imortal “Carmina Burana”, a plateia reagiu, indignada, com um coro de “Fora Temer”.

WhatsApp Image 2017-11-18 at 17.44.02

Em seguida o coletivo oculto Manifestação Pacífica subiu o tom com a panfletagem do pior do Brasil, numa instalação performática sobre os nossos políticos.

A primeira atração estrangeira foi o francês Alex Augier, com “_nybble_”, uma performance-escultura-instalação com projeções holográficas sincronizadas com um potente som eletrônico.

WhatsApp Image 2017-11-18 at 17.47.13

Com a chegada dos Kuikuros – resultado de uma residência artística iniciada antes do início do festival, com uma visita à sua aldeia, no Alto Xingu -, nós “perdemos o chão”. Não me conformava em fazer um festival no Brasil, com multiplicidade no nome, sem uma ocupação legítima de artistas indígenas.  E eles vieram como uma força da natureza, com seus rituais, suas linguagens, sua música e sua dança. A magia ficou completa com a instalação de realidade virtual “Xingu Ensemble”, de Clelio de Paula.

WhatsApp Image 2017-11-18 at 17.47.13-2

Sem parar o bonde, artistas brasileiros residentes – DMTR e Fabiano Mixo – viveram uma imersão de construção colaborativa do que seria apresentado em diferentes momentos dentro do festival. Essa exposição do processo coletivo resultou em “Tempestade Midi”, de DMTR, “Mulher sem bandolim”, de Mixo.

Em paralelo às atrações principais, criamos uma residência artística no térreo do centro cultural ao longo de toda temporada. Foi um espaço inspirado na obra “Tropicália”, de Hélio Oiticica, que mais parecia um aquário de ideias e criações multicoloridas. Nesse local, chamado de Multi_Lab, aconteceram instalações, debates, workshops com brasileiros (incluindo os dez indígenas Kuikuros que estiveram conosco no festival) e estrangeiros, e também algumas performances singulares chamadas carinhosamente de QUEPORRAÉESSA?!!!

Então foi a vez de Gabriela Mureb, que chegou pedindo máscaras contra ingestão de gás carbônico, 20 motores barulhentos e um rigor de uma orquestra mecânica. “Máquina -Parte I” foi, definitivamente, nosso momento mais inusitado e – por que não dizer? – radical.

E como se já não estivesse suficientemente intenso, bateu uma ansiedade muito forte quando partimos para a Zona Portuária, ao Éden e a Utopia, nos últimos dias do festival. Conosco, vieram artistas do Sri Lanka, Itália, Espanha, Índia, Canadá, França, Inglaterra, Holanda, Estados Unidos e, claro, Brasil. Nomes que frequentam os maiores festivais internacionais de arte e tecnologia. A vanguarda audiovisual contemporânea em nossa culminância. Era como se tivéssemos pescado um pirarucu – o melhor e mais desejado peixe de nossos almoços na aldeia dos Kuikuros – e posto a mesa para o deleite do respeitável público.

WhatsApp Image 2017-11-18 at 17.50.00

Começamos o Ocupa_Porto no Éden com “Avalanche”, o filme de Carlos Casas, que foi remixado ao vivo por artistas sonoros como Chelpa Ferro e Neil Leonard e Nikhil Uday Singh, ambos da Berklee College. Ainda nesta noite, Nado Leal fez um DJ set com sons pop eletrônicos da ásia central. Foi uma introdução para o dia seguinte, quando aconteceria a maior ocupação física do festival.

A programação desenhada não era nada popular. Era uma viagem ousada a vários lugares do mundo, tudo dentro de um armazém apropriadamente chamado Utopia.

Num espaço monumental para 4.000 pessoas, propomos algo para “somente” um grupo seleto de mil pessoas. Criamos uma house mix, que chamávamos de “Apollo”, para controlar e enxergar onde a luz deveria ser valorizada. Vídeos e sons funcionaram como um balé imersivo, no qual público e artistas seriam parte do mesmo jogo. Montamos um aparato para comandar uma ópera de um dia só.

Cansado da travessia e sem a menor chance de recuar, confesso que veio uma nuvem de pessimismo, seguido por um lapso de insegurança, pouco antes de abrirem os portões, afinal, todos os eventos possíveis e gratuitos aconteciam no mesmo sábado. Mas quem faz um festival sabe que, no fundo, “o que a vida quer da gente é CORAGEM”, frase de Guimarães Rosa que me persegue. Ao lembrar dela, minha chave mental apontou para uma única seta. VAI SER INESQUECÍVEL!!

Novamente o “BARULHO/ BAGULHO”, de Lenora de Barros e Raul Mourão, foi presente, projetado em duas telas enormes. Na sequência, o DJ francês Coni nos conduziu por sons e texturas contemplativas até a chegada do tão aguardado artista canadense Martin Messier. Em “Field”, ele criou um nervoso teatro de sombras com uma estrutura de peças e campos magnéticos, algo difícil de reproduzir em palavras. Teatro moderno digital.

Logo depois, Paul Jebanasam e Tarik Barri mostraram sua hipnótica performance audiovisual “Continuum AV”.  Alguns corajosos sentaram e viajaram naquela densa abstração.

A partir dali, a energia só subiria, com o Looping: Bahia Overdub (numa coapresentação com o Festival Panorama), depois com o Ninos du Brasil e, por fim, com a Vizinha Faladeira. Dub, punk e samba, todos afinados e conduzidos pela animação. As portas de saída do armazém foram abertas às 3h. Como um cortejo de carnaval, todos saíram atrás da bateria da escola até o porto maravilha.

Foram dez línguas faladas ao longo de 35 dias, desde a residência no Xingu até aquela Utopia. Depois de tantas vivências inesquecíveis, é preciso dizer: Obrigado / Thank you  / Merci / Grazie / Gracias/ Aingo Hegüei / Graciès / Bedankt  / Stutiyi / Dhanyavaad.

E a última frase cantada no Armazém da Utopia apontou para o nosso próximo alvo: “Como será o amanhã?”

Em 2018, começaremos nossa pesquisa justamente sob a regência do AMANHÃ.

Ainda ecoando tudo que fizemos, parto na próxima semana para participar do encerramento da Bienal de Veneza, seguindo depois para o Festival de Live Cinema Fotônica, em Roma, e para uma visita rápida ao centro de arte digital ZKM, em Karshule. Tudo para pesquisar o nosso novo tema.

Até AMANHÃ!!!

Batman Zavareze

Festival Multiplicidade

Screen Shot 2017-11-17 at 10.46.48 AM

Screen Shot 2017-11-17 at 10.42.41 AM WhatsApp Image 2017-11-18 at 17.58.14 WhatsApp Image 2017-11-18 at 17.56.54 WhatsApp Image 2017-11-18 at 18.05.40 WhatsApp Image 2017-11-18 at 18.05.40-2 WhatsApp Image 2017-11-18 at 18.07.00-2 WhatsApp Image 2017-11-18 at 18.07.00-3 WhatsApp Image 2017-11-18 at 18.07.00

 

Em seu terceiro álbum, “Vida eterna”, a dupla italiana Ninos Du Brasil embaralha samba, techno e vampirismo num batuque de matar

Screen Shot 2017-11-09 at 9.20.15 AMPor Carlos Albuquerque

Italianos e bem grandinhos, Nico Vascellari e Nicolò Fortuni são, curiosamente, os Ninos Du Brasil. E eles têm baquetas nas mãos e os dentes cravados na realidade. Em seu terceiro álbum, “Vida eterna”, os dois seguem subvertendo ritmos e estéticas a todo volume, casando batucada e techno sob as bênçãos do punk e das artes visuais. Nas oito estrondosas faixas do disco (que tem participação de Arto Lindsay), anarquizam também a narrativa, com títulos em português (com a ajuda do tradutor do Google) e uma surreal história sobre vampiros que sugam a energia vital das pessoas em uma floresta misteriosa. É o Nightmare Team do passinho.

NinosDuBrasil_MarcoRapisarda_11NOV

NS-Days-2-Ninos-du-Brasil-BD©www.b-rob.com_16

Vascellari e Fortuni costumam dizer que nasceram em Queimada Grande, uma ilha “perdida” em São Paulo, de acesso proibido, onde mora a serpente mais venenosa do mundo (de fato, o local existe e é conhecido como Ilha das Cobras). A verdade é só um pouco menos divertida: vindos do interior da Itália, os dois tinham uma banda punk chamada With Love, no final dos anos 90. Ninos Du Brasil era o nome de uma provocativa performance que faziam antes dos shows do With Love, uma espécie de bloco dos dois sozinhos, para ver quem realmente estava no local para ver a banda. “A ideia era simplesmente perturbar as pessoas”, admitiu Vascellari em recente entrevista ao site “Factmag”.

Mas tudo deu maravilhosamente errado. Aos poucos, o NDB passou a chamar mais a atenção do que o With Love (que chegou a gravar pelo selo GSL, de Omar Rodriguez, do Mars Volta) e acabou por engolir a banda principal. Foi melhor assim. Passados dez anos, os Ninos se firmaram como um transgressor ato musical/visual, famoso pelas incendiárias apresentações, tanto em palcos tradicionais como em squats e galerias de arte. Além dos álbuns anteriores, “Muito NDB” (2012) e “Novos mistérios” (2014, que traz uma faixa chamada “Sepultura”, em homenagem à banda mineira), chegaram a lançar um single, “Aromobates”, pelo selo DFA Records, de James Murphy, do LCD Soundsystem.

“Vida eterna” – que tem capa desenhada pela artista britânica Marvin Gaye Chatwynd – segue o baile com fogo e paixão. De “O vento chama o seu nome”, faixa de abertura, a “Vagalumes piralampos”, a única com vocal, que fecha o disco, a fúria sônica dos Ninos é alimentada por uma paleta percussiva, que inclui desde peças tradicionais (cuíca, surdo, prato etc) até objetos como garrafas, cilindros de gás e pedaços de madeira. Tudo embalado por texturas metálicas e vocais abstratos, criando o transe industrial perfeito para a dança dos vampiros e de outros mortos-vivos. Ou como profetizou Assis Valente em “Brasil pandeiro”, canção de 1940, imortalizada pelos Novos Baianos no clássico “Acabou chorare” de 1972: “Há quem sambe diferente noutras terras, outra gente/Num batuque de matar”.

Screen Shot 2017-11-03 at 12.49.58 PM

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

Ocupa Porto Armazém da Utopia

Armazém 6, Orla Conde, s/n. Parada do VLT: Utopia/AquaRio.

Horários: 19h e 21h40m (Lenora de Barros e Raul Mourão), 19h30m (DJ Coni), 21h (Martin Messier), 22h (Paul Jebanasam e Tarik Barri), 22h40m (Looping: Bahia Overdub), 24h (Ninos Du Brasil), 1h (Vizinha Faladeira).

Classificação etária: Livre.

Entrada: Gratuita.

Local sujeito à lotação.

Saiba mais: http://bit.ly/MX2025_UTOPIA

Encerramento do festival com atrações sortidas e conteúdos transversais.

multi

É a noite da grande expansão do Multiplicidade 2017. Celebração do ano em que o festival promoveu o barulho – fosse ele poético, visual , sonoro ou tudo isso junto – e buscou novas formas de comunicação em tempos de ruído,  o Ocupa Porto Armazém da Utopia reúne atrações sortidas e conteúdos transversais. Num lugar de nome tão apropriado – afinal, fazer um festival num país em crise nada mais é do que uma utopia -, chega-se ao ápice de uma programação que, ao longo de pouco mais de um mês, despertou sentidos adormecidos, promoveu diálogos inusitados e estimulou o pensamento mais profundo de nossa cena artístico-cultural.

A ocupação terá abertura da obra que permeou todo o evento, “O BARULHO É VISUAL / O BAGULHO É VISUAL” da artista, poeta e concretista Lenora de Barros, com a participação do artista plástico Raul Mourão. E a noite seguirá pulsando com o som do DJ francês Coni, com o encontro entre a música de Paul Jebanasam (Sri Lanka/ Inglaterra) e a  videoarte de Tarik Barri (Holanda) na performance “Continuum AV”;  com o espetáculo de ruídos e luzes “Field”, de Martin Messier (Canadá), com os movimentos coreográfico cruzados do Looping: Bahia Overdub, com o punk percussivo e colorido do duo italiano Ninos do Brasil e, por fim, com o batuque da venerável  escola de samba Vizinha Faladeira, fechando o utópico ano de…2025.

Artista visual e poeta paulistana, formada em linguística pela USP, Lenora de Barros utiliza em suas obras diversos recursos como o vídeo, a fotografia e a instalação. Seu celebrado trabalho está no acervo de diferentes coleções particulares e públicas, como no Museu D’Art Contemporani, de Barcelona, na Espanha, e no Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro.  Em dois momentos da noite, Lenora vai apresentar  “O BARULHO É VISUAL / O BAGULHO É VISUAL” – obra marco do Multiplicidade 2017 – ao lado artista plástico Raul Mourão, cujo trabalho  engloba também “desenhos, gravuras, pinturas, esculturas, vídeos, fotografias, textos, instalações e performances”, como descreve seu site.

Figura de renome no cenário eletrônico underground francês, o DJ  Coni  (Nicolas Olier) define seu trabalho como “música noturna com uma estética estranha”.  Ele lançou seu primeiro EP em 2011, pelo selo local ClekClekBoom em 2011. Desde então, vem transitando entre estilos como house, techno, garage e bass music, sem nunca se prender a nenhum deles.

1MartinMessier_11NOV 2MartinMessier_ArielMartini_11NOV3MartinMessier_11NOV

 

Ex-baterista de bandas punk na adolescência e hoje apaixonado por Radiohead, eletroacústica e free jazz, o músico, compositor e artista multimídia canadense  Martin Messier  é formado em composição eletroacústica pelas universidades de Montreal, no Canadá, e de Montfort, na Inglaterra.  O interesse pelas artes gráficas fez com que ele explorasse a relação entre som e imagem. É esse mesmo interesse que o inspira a compor música para dança e teatro.  Messier vem criando projetos individuais e parcerias através dos quais ele desenvolve e experimenta performances eletroacústicas híbridas.  Um dos seus projetos de maior repercussão foi a  a Sewing Machine Orchestra, com a qual cria um espetáculo audiovisual a partir dos ruídos de oito antigas máquinas de costura.  Em “Field” , sinais residuais e imperceptíveis , colhidos com microfones especiais, aliados a duas placas eletrônicas, são a matéria prima de uma performance de ruídos e luzes. 

Apresentada pela primeira vez no Brasil e também na América do Sul,  “Continuum AV” é uma performance conjunta de Paul Jebanasam (Sri Lanka) e Tarik Barri (Holanda), a partir do álbum de mesmo nome, lançado por Jebanasam em 2016, repleto de melodias fragmentadas.  Eles já se apresentaram juntos em festivais como Semibreve (Portugal), Mutek (Canadá), Sonic Acts (Holanda) e Atonal (Alemanha).

Radicado em Bristol, na Inglaterra, depois de viver em Sydney, na Austrália, Jebanasam é produtor musical e diretor do selo Subtext . Tem dois álbuns lançados, “Music for The Church of St. John The Baptist” (2012) e “Rites” (2013), influenciados pela música clássica litúrgica, além de dark ambient e metal.

Barri passou por escolas de arquitetura e psicologia até encontrar sua vocação, estudando sound design composição na Escola de Música e Tecnologia de Utrecht.  Ele já participou dos mais importantes festivais internacionais de novas mídias como CTM (Alemanha), Sonar (Espanha) e Unsound (Polônia) e  realizou colaborações audiovisuais com nomes como  Radiohead e Flying Lotus, entre outros.

“Looping: Bahia overdub” é uma plataforma de investigação que se desdobra em formatos distintos. O espetáculo promove movimentos coletivos de tensão e distensão, inspirados nas contradições da cultura baiana. A criação é colaborativa de Felipe de Assis (diretor teatral, produtor cultural e curador em artes cênicas), Leonardo França (artista residente no Cem, centro em movimento, em Lisboa, e na Casa Hoffmann, em Curitiba) e Rita Aquino (doutora em Artes Cênicas, mestre e especialista em Dança pela UFBA, onde leciona) faz parte de uma colaboração curatorial com o Festival Panorama que realiza sua 26ª edição em 2017. Suas práticas interdisciplinares articulam criação, produção, pesquisa, formação e curadoria em diferentes contextos de atuação.

Podendo assumir o caráter de espetáculo, instalação ou festa, Looping: Bahia overdub reúne criadores independentes de dança, teatro e música da capital baiana. A trilha, executada ao vivo, traz referências da cultura afro-brasileira, como o afoxé dos Filhos de Gandhi; da música popular (samba-reggae), e sonoridades urbanas diversas. Potentes caixas de som são ao mesmo tempo elementos cênicos, objetos de pesquisa coreográfica e aparelhos de transmissão sonora.

0005400560_10

Nico Vascellari e Nicolò Fortuni são os Ninos Du Brasil, uma dupla de percussão italiana com um fundo em arte visual. Através da sua aptidão com a bateria, fundem as influências aparentemente díspares do punk, techno tribal e batucada, emergindo com um verdadeiramente singular. Eles já lançaram três álbuns:  “Muito N.D.B.” (2012), “Novos mistérios” (2014) e “Vida eterna” (2017). Seu currículo inclui apresentações em festivais como Berlin Atonal (Alemanha), Unsound (Polônia) e Primavera (Espanha).

Ninos_Du_Brasil_20121208_La_Tempesta_al_Rivolta_01

Uma das mais antigas escolas de samba do Brasil, a Vizinha Faladeira surgiu no Rio, em 1932, no Santo Cristo, zona portuária. Foi uma das primeiras agremiações a usar enredos internacionais, apresentar carros alegóricos em seus desfiles e ter uma comissão de frente. Suas cores são o azul, vermelho e branco. No carnaval de 2018, na série B, a escola vai homenagear o criador Paulo Barros.

line-up

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

Ocupa Porto Armazém da Utopia

Armazém 6,  Avenida Rodrigues Alves, Cais do Porto.

Horários:  19h e 21h40m (Lenora de Barros e Raul Mourão), 19h30m (DJ Coni), 21h (Martin Messier), 22h (Paul Jebanasam e Tarik Barri), 22h40m (Looping: Bahia Overdub), 24h (Ninos Du Brasil), 1h (Vizinha Faladeira).

Classificação etária: Livre
Entrada: Gratuita.
Local sujeito à lotação

Saiba mais/ LINK Facebook: https://goo.gl/6oXtaH

 

 

Live cinema de Carlos Casas é destaque do Ocupa Porto Éden

Vem chegando a hora do estrondo final. Depois de fazer barulho em diversas formas – da desconstrução sinfônica da Quasi-Orquestra, ao canto tribal dos Kuikuro, das ondas espaciais de Dimitre Lima à revoada sensorial de Alex Augier – o Multiplicidade 2017 se desloca para a zona portuária, a caminho do encerramento, mantendo seu perfil plural. No Ocupa Porto Éden, que acontece nesta sexta-feira, o destaque é o cinema ao vivo do artista espanhol (de Barcelona) Carlos Casas, com o instigante projeto “Avalanche”. A noite vai ter também intervenções sonoras dos convidados especiais Neil Leonard e Nikhil Uday Singh (ambos da prestigiosa Berklee College of Music, dos EUA), e do grupo multimídia Chelpa Ferro. O DJ Nado Leal completa a escalação, com uma carga de ritmos inusitados das periferias da ásia central.

Avalanche_alta2_preview

Iniciado em 2009, em colaboração com o compositor norte-americano Phil Niblock (que já trabalhou com Thurston Moore e Lee Ranaldo, do Sonic Youth). “Avalanche” retrata o desaparecimento do vilarejo de Hichigh, no Tajiquistão, que está prestes a se transformar em uma cidade fantasma. Meditativo e transcendental, o trabalho de Casas se tornou um projeto em aberto – capaz de ser apresentado em mais de um formato – e continuará a rodar e se expandir enquanto existir vida na cidade, localizada nas Montanhas Pamir, chamadas de “o teto do mundo”. Essa não é a primeira visita do catalão ao Rio. Ele já se apresentou no Multiplicidade em 2011, com a trilogia “End”, com a participação do Chelpa Ferro. Casas assinou também a direção do documentário “Rocinha – Daylight of a favela”, de 2003, que buscou mostrar o local sem os estereótipos de violência e crime.

_DSC6299
Professor e diretor artístico do Instituto de Artes Interdisciplinares de Berklee, Neil Leonard começou na música como saxofonista, mas viu seu trabalho florescer com o advento dos computadores pessoais, nos anos 80, abrindo-se para instalações,companhias de dança e cineastas. Já teve trabalhos apresentados no Carnegie Hall (EUA), na Bienal de Tel Aviv (Israel), no Museu Reina Sofia (Bulgária) e no Auditorium di Roma (Itália). Colaborou com músicos como Marshall Allen (da cultuada Sun Ra Arkestra) e Jamaaladeen Tacuma.

Professor adjunto na Berklee College of Music, Nikhil Uday Singh é guitarrista, compositor, produtor musical e engenheiro de som, tendo já produzido, gravado, mixado e remasterizado gravações para diversos artistas e bandas. Além disso, ele próprio já produziu e apresentou diferentes tipos de música eletrônica. Nikhil Uday Singh trabalha também com projetos de realidade aumentada e já atuou como DJ no celebrado festival Moogfest, de música, arte e tecnologia, realizado na Carolina do Norte, EUA.

Chelpa-Ferro-1

Reunido pela primeira vez em 1995, numa edição do CEP 20.000, o Chelpa Felpa é formado por Luiz Zerbini, Barrão e Sergio Mekler. “Quando começamos, a gente estava a fim de tocar guitarra e fazer barulho”, disse Barrão ao “Globo”, dez anos depois. O grupo é conhecido por suas experiências com música eletrônica, esculturas e instalações tecnológicas, em apresentações ao vivo e exposições. Ao longo de sua trajetória, apresentou diferentes trabalhos em diversos formatos: objetos, instalações, vídeos, performances, apresentações de palco e também álbuns (o mais recente é “Ruim”, de 2016).

Produtor musical e DJ, Nado Leal começou na rádio Cidade FM nos anos 90 e já trabalhou em gravadoras como Sony e Warner. Um dos nomes mais requisitados da noite do Rio, ele já tocou em festas como Bailinho, Jazz Ahead, Black Friday, Afro Rio e Volume. Versátil, participou também de eventos como Rock in Rio 3, Tim Festival, Skol Beats, Chemical Music, Fashion Rio, Back2Black e Vivo Open Air.
Ocupa Porto_Éden – Rua Sacadura Cabral, 109.

Horário: 20h às 00h
Performances a partir das 21h
Classificação etária: Livre
Entrada: Gratuita.
Local sujeito à lotação.
Saiba mais/ LINK Facebook: https://goo.gl/PihjXz

ACERTO _Visita com Hermeto Pascoal e Pablo Ribeiro

Amanhã, sábado (03/09), das 14h às 15h30, o Festival Multiplicidade te convida para fazer uma visita e bater um papo com os artistas Hermeto Pascoal e Pablo Ribeiro nas instalações da exposição ERRAR no Oi Futuro Flamengo – Rua Dois de Dezembro, 63.

• Teaser da instalação Acerto de Hermeto Pascoal e Pablo Ribeiro

“Assim é Hermeto: uma folha de papel, branca, sempre pronta para acertos não premeditados.
É água que brota da terra sem parar, por gostar de brotar.
Hermeto respira a música que inspira a imagem.
ACERTO traz esse movimento espontâneo evocado através de som e projeção.
Com a reconstrução audiovisual de Pablo Ribeiro, são descobertas novas possibilidades musicais dentro da expressão inicial e livre.
É Hermeto em plena simbiose com ele mesmo e com o universo.
Então toquem e cantem minha gente, amem-se e se abracem até o dia amanhecer.”

ACERTO é uma obra de Hermeto Pascoal (música) e Pablo Ribeiro (edição e concepção visual)

***Não será uma performance.

_EQUIPE_FESTIVAL MULTIPLICIDADE

FESTIVAL MULTIPLICIDADE

Concepção, Direção e Curadoria: Batman Zavareze

Direção Técnica: Eduardo Bonito

Coordenação Artística: Nado Leal

Direção de Arte/ Cenografia: Helcio Pugliese

Cenografia: João Boni

Cenotécnico: Paulo Fernandes

Iluminação: Samuel Bets

Design: Boldº_a design company

Direção de Design: Leo Eyer

Design Gráfico: Alexandre Paranaguá

Coordenação Gráfica: Vivianne Jorás

Coordenação de Produção: Raquel Bruno

Assistência de Produção: Ana Luiza Aguiar e André Ahmed

Assistência de Direção: André Henrique

Técnico de som: Gui Marques e Eduardo Baldi

Técnico de luz: Rodrigo Leitão

Técnico em projeção: Marcio Henrique

Assessoria de Imprensa: Palavra!

Fotografia: Andrea Nestrea

Conteúdos Digitais: Agência 14

Assistente de Edição: João Oliveira

Monitores: Lia Godoy, Antonella Abreu e Eliana da Silva

Produção Executiva: Patricia Barbara

Gestão Financeira: Mirian Peruch

Contabilidade: Macedo & Muzzio

Consultoria Financeira: Jose Carlos Barbosa

Realização: 27 Mais 1 Comunicação Visual Ltda

Festival Multiplicidade 2025_Ano_20 | ESCULPINDO O TEMPO

Ao longo de discussões entre passado, presente e futuro o Festival Multiplicidade apostou na ANTEVISÃO, se teletransportando para 2025.

Instigado em olhar adiante e reinventar nossa capacidade de investigação das linguagens inovadoras, criamos uma programação “fora da caixa”.

O resultado é o documentário “ESCULPINDO O TEMPO” com direção de Victor Fiuza e produzido pelos parceiros da equipe da Agência 14.

Provocamos artistas, pensadores e colaboradores do festival para criação de um discurso urgente, atemporal, indisciplinado e transversal sobre a realidade que nos engole diariamente.
São discussões que ampliam nossa reflexão sobre o impacto da tecnologia em nossas vidas e o quão tudo isso que produzimos e absorvemos pode, e deve ser sempre poético.

www.multiplicidade.com
info@multiplicidade.com

Lab Criativo BRAxUK – Dias #6 e #7 @ Visconde de Mauá

Sexta, 30 de outubro de 2015

Logo pela manhã, duas vans saíram do centro do Rio, em direção a Visconde de Mauá, aonde foram recebidos pelo coordenador da Casa Nuvem e também mentor do Lab, Bruno Vianna.

Mauá

A Casa Nuvem, em Mauá, é um espaço criado há três anos por um grupo de artistas que funciona como um celeiro de idéias onde pessoas de todo o mundo se reúnem em sistema de residência artística temporária.  A casa tem compromisso com a sustentabilidade do espaço e todas as refeições servidas são vegetarianas e feitas com ingredientes orgânicos, muitos deles plantados na própria horta do local.

Após a recepção e apresentação da agenda de atividades a serem desenvolvidas durante o fim de semana, o grupo britânico foi acomodado na pousada Lugar de Mato Verde a alguns metros de distância da residência, que ficou estabelecida como ponto de encontro e principal local de trabalho.

Logo após o almoço, grupos foram formados de acordo com os projetos a serem desenvolvidos e durante toda a tarde os participantes “navegaram”  entre os grupos que se formavam, trocando idéias e escolhendo seus parceiros. Alguns membros optaram por desenvolver projetos diversos sendo um projeto principal e alguns projetos “secundários”, em que se puderam participar como participantes. I

 

Sábado, 31 de outubro de 2015

O café da manhã de sábado reuniu produtores e artistas participantes na pousada Um Lugar de Mato Verde e com os grupos já melhor definidos, os integrantes puderam se programa para discutir os projetos ao longo do dia e aprofundar a sua elaboração.

12189862_10207587104654272_8156668268426765699_n

Paul Sermon propôs uma atividade onde um pódio foi delineado com fita adesiva branca no chão da Casa Nuvem e os demais foram convidados a interpretar o que fariam no alto do pódio. Alguns grupos apresentaram informalmente suas propostas de projetos e após o jantar, Tiago Cosmo animou o grupo com uma linda apresentação de violino. 

Tiago-Cosmo